27 de setembro de 2026 07:02

Operação conjunta dos EUA e Venezuela elimina líder do Tren de Aragua

Na noite de sexta-feira (12), autoridades dos Estados Unidos e da Venezuela confirmaram a morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, mais conhecido como Niño Guerrero, apontado como o principal líder da organização criminosa Tren de Aragua. O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano Donald Trump, que declarou que o Comando Sul dos EUA realizou um ataque “rápido e letal” contra o chefe da facção, em estreita coordenação com o governo venezuelano. A operação ocorreu no estado de Bolívar, no sudeste da Venezuela, e contou com apoio tecnológico especializado e troca de informações de inteligência entre os dois países.

Niño Guerrero, de 43 anos, era considerado um dos criminosos mais procurados da América Latina. Nascido em Maracay, no estado de Aragua, iniciou sua trajetória criminosa no início dos anos 2000, acumulando acusações de homicídio, tráfico de drogas, roubo e ataques contra policiais. Preso em 2010, assumiu o controle da prisão de Tocorón, transformando-a em centro de operações da facção. Mesmo encarcerado, expandiu a influência do Tren de Aragua para diversos países da América Latina, incluindo Brasil, Colômbia, Chile e Peru. Em 2012, conseguiu escapar da prisão, mas foi recapturado no ano seguinte. Condenado a 17 anos de prisão em 2018, manteve o comando da organização até se tornar foragido em 2023, após uma intervenção militar venezuelana na penitenciária.

O Tren de Aragua, fundado em 2014, é acusado de envolvimento em extorsão, assassinatos por encomenda, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, prostituição e garimpo ilegal. Em janeiro de 2025, os Estados Unidos classificaram oficialmente o grupo como organização terrorista e ofereceram recompensa de até 5 milhões de dólares por informações que levassem à captura de Guerrero. Em dezembro de 2025, promotores federais de Nova York apresentaram acusações contra 70 integrantes da facção, incluindo o líder. Segundo análises do centro Insight Crime, Guerrero foi responsável por transformar o grupo em uma rede criminosa transnacional, com forte presença em diferentes países e alianças com outras organizações, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) no Brasil.

A morte de Niño Guerrero é considerada um marco na ofensiva internacional contra o Tren de Aragua. Autoridades americanas afirmaram que o ataque envia uma “mensagem clara” à América Latina de que não haverá refúgio seguro para narcoterroristas na região.

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