A confirmação da formação do El Niño pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) reacendeu o alerta para os impactos que o fenômeno pode provocar no Brasil nos próximos meses. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que caracteriza o El Niño, já está estabelecido e deve se intensificar durante o inverno de 2026-2027, atingindo o ápice entre a primavera e o verão no Hemisfério Sul.
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os efeitos esperados incluem ondas de calor, secas prolongadas e chuvas acima da média em determinadas regiões. No Sul do país, há previsão de temporais mais frequentes e risco elevado de enchentes, especialmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Já no Norte e Nordeste, a tendência é de estiagens severas, que podem comprometer o abastecimento de água, a agricultura e aumentar o risco de queimadas.
No Sudeste e Centro-Oeste, os impactos mais comuns são temperaturas acima da média e chuvas irregulares, afetando estados como Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Bahia. A irregularidade climática preocupa também o setor agrícola, já que o início da safra de grãos pode ser prejudicado pela falta de chuvas regulares, enquanto o excesso de precipitação pode comprometer colheitas como a do café.
Estudos recentes apontam que o El Niño aumenta a probabilidade de cheias na Bacia do Prata, região que abrange parte do território gaúcho. Em 2024, enchentes históricas devastaram cidades do Rio Grande do Sul, afetando milhões de pessoas, enquanto a Amazônia enfrentou a maior estiagem de sua história, isolando comunidades e comprometendo a pesca e a geração de energia.
A NOAA estima que há 63% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, podendo se tornar um dos episódios mais intensos já registrados desde 1950. A Organização Meteorológica Mundial também projeta um evento de intensidade moderada a forte, reforçando a necessidade de medidas preventivas e monitoramento constante.

