4 de junho de 2026 15:27

Governo articula nova indicação de Jorge Messias ao STF após rejeição inédita no Senado

Após a rejeição histórica do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), o governo federal já articula uma nova tentativa de indicação. Messias, atual advogado-geral da União, foi barrado pelo Senado em abril, tornando-se o primeiro indicado ao STF a ser recusado desde a redemocratização. A derrota expôs fragilidades na articulação política do Palácio do Planalto e revelou resistência de parlamentares do Centrão e da oposição.

Nos bastidores, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem que a rejeição não ocorreu por questões técnicas, mas sim em um ambiente político adverso. Lula teria reforçado a intenção de manter Messias como prioridade para futuras vagas na Corte, interpretando a decisão do Senado como um movimento político contra o governo. O senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos principais articuladores do Planalto, já se reuniu com Messias para discutir estratégias de retomada da indicação.

Apesar da rejeição, integrantes da equipe jurídica do governo estudam brechas regimentais e constitucionais que possam permitir uma nova indicação ainda neste ano. O regimento interno do Senado prevê que um nome rejeitado não pode ser reapresentado na mesma sessão legislativa, mas há quem defenda interpretações alternativas. Precedentes, como o caso de Alexandre de Moraes em 2005, são citados como exemplos de manobras políticas que poderiam abrir caminho para Messias.

A situação, no entanto, é delicada. Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, consideram “estranho” o movimento para reapresentar o nome de Messias, e avaliam que uma nova tentativa poderia resultar em outra derrota. A relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou após a votação, aumentando o risco de desgaste institucional caso o Planalto insista na recondução.

Enquanto isso, Messias mantém postura discreta. Após a rejeição, declarou que o Senado é soberano e que a derrota faz parte do processo democrático, afirmando que não encara o episódio como fim de sua trajetória pública.

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