4 de junho de 2026 15:27

Dependência química cresce entre soldados na guerra da Ucrânia

No quinto ano da guerra na Ucrânia, relatos apontam para um aumento preocupante do uso de drogas entre combatentes de ambos os lados do conflito. Estimulantes e opioides vêm sendo utilizados como forma de aliviar dores, reduzir o medo e enfrentar os traumas constantes da guerra. A prática, embora oficialmente proibida, tornou-se comum diante da falta de apoio psicológico e da ausência de planos de desmobilização desde o início da invasão em larga escala em 2022.

Soldados permanecem por longos períodos na linha de frente, sem descanso adequado, o que tem levado muitos à automedicação. Casos como o de Stanislav, que desertou após não suportar os efeitos da guerra e da dependência, revelam a gravidade da situação. Ele relata que o uso de metadona, um opioide sintético, ajudava a se distanciar dos horrores do combate, mas acabou por agravar sua condição.

O fenômeno não é novo na história militar. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha nazista distribuiu milhões de comprimidos de metanfetamina às tropas, enquanto os Estados Unidos forneceram estimulantes em diferentes conflitos, do Vietnã ao Iraque. Na Ucrânia, jovens combatentes recorrem a substâncias variadas, e especialistas alertam que a dependência poderá acompanhá-los mesmo após o fim da guerra.

De acordo com a organização Health Solutions, cerca de metade dos militares na linha de frente já teve algum tipo de experiência com drogas, muitas vezes combinando álcool com opioides e anfetaminas. A falta de psicólogos e centros de reabilitação agrava o problema, dificultando a reintegração dos veteranos à vida civil. Apenas recentemente o governo ucraniano incluiu o apoio a soldados com dependência química em sua estratégia para veteranos, ainda em fase de projeto-piloto.

Enquanto isso, o uso de drogas continua sendo oficialmente proibido nas Forças Armadas. Soldados flagrados podem enfrentar punições severas, e famílias de militares mortos em combate podem perder compensações estatais caso substâncias sejam encontradas em autópsias. A realidade, porém, mostra que a prática é tolerada informalmente, desde que não comprometa o desempenho nas missões.

O cenário expõe não apenas os efeitos devastadores da guerra sobre os combatentes, mas também a urgência de políticas públicas voltadas à saúde mental e à reabilitação, para que os soldados possam enfrentar não apenas o campo de batalha, mas também as consequências que se estendem muito além dele.

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