No quinto ano da guerra na Ucrânia, relatos apontam para um aumento preocupante do uso de drogas entre combatentes de ambos os lados do conflito. Estimulantes e opioides vêm sendo utilizados como forma de aliviar dores, reduzir o medo e enfrentar os traumas constantes da guerra. A prática, embora oficialmente proibida, tornou-se comum diante da falta de apoio psicológico e da ausência de planos de desmobilização desde o início da invasão em larga escala em 2022.
Soldados permanecem por longos períodos na linha de frente, sem descanso adequado, o que tem levado muitos à automedicação. Casos como o de Stanislav, que desertou após não suportar os efeitos da guerra e da dependência, revelam a gravidade da situação. Ele relata que o uso de metadona, um opioide sintético, ajudava a se distanciar dos horrores do combate, mas acabou por agravar sua condição.
O fenômeno não é novo na história militar. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha nazista distribuiu milhões de comprimidos de metanfetamina às tropas, enquanto os Estados Unidos forneceram estimulantes em diferentes conflitos, do Vietnã ao Iraque. Na Ucrânia, jovens combatentes recorrem a substâncias variadas, e especialistas alertam que a dependência poderá acompanhá-los mesmo após o fim da guerra.
De acordo com a organização Health Solutions, cerca de metade dos militares na linha de frente já teve algum tipo de experiência com drogas, muitas vezes combinando álcool com opioides e anfetaminas. A falta de psicólogos e centros de reabilitação agrava o problema, dificultando a reintegração dos veteranos à vida civil. Apenas recentemente o governo ucraniano incluiu o apoio a soldados com dependência química em sua estratégia para veteranos, ainda em fase de projeto-piloto.
Enquanto isso, o uso de drogas continua sendo oficialmente proibido nas Forças Armadas. Soldados flagrados podem enfrentar punições severas, e famílias de militares mortos em combate podem perder compensações estatais caso substâncias sejam encontradas em autópsias. A realidade, porém, mostra que a prática é tolerada informalmente, desde que não comprometa o desempenho nas missões.
O cenário expõe não apenas os efeitos devastadores da guerra sobre os combatentes, mas também a urgência de políticas públicas voltadas à saúde mental e à reabilitação, para que os soldados possam enfrentar não apenas o campo de batalha, mas também as consequências que se estendem muito além dele.

