A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos anunciou a suspensão temporária de medidas previstas em seu plano de reestruturação, que incluíam o fechamento de agências e alterações nas gratificações pagas a funcionários. A decisão, válida até 31 de julho, foi comunicada em resposta às reivindicações da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), que havia sinalizado a possibilidade de greve nacional caso as mudanças fossem implementadas sem diálogo.
O plano de reestruturação da estatal foi elaborado como forma de enfrentar a grave crise financeira que se arrasta desde 2022. Apenas no primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,1 bilhões, acumulando 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. Em 2025, o déficit chegou a R$ 8,5 bilhões, e a expectativa é de que o rombo seja ainda maior neste ano. Para tentar reverter esse cenário, a direção da empresa havia anunciado cortes de despesas, otimização de ativos e renegociação de dívidas, além da busca por novos empréstimos, incluindo um aporte de R$ 7 bilhões junto ao Tesouro Nacional.
Entre as medidas suspensas estão o encerramento de atividades em unidades ainda em funcionamento, a retirada da gratificação de atendimento em guichê e da verba de “quebra de caixa”, além da implantação de um novo sistema de dimensionamento da carga de trabalho. A suspensão não se aplica às agências já fechadas ou em processo avançado de desativação.
A decisão foi tomada após intensa mobilização sindical e ameaça de paralisação. Representantes dos trabalhadores afirmaram que, apesar do recuo da direção, o estado de greve permanece, podendo ser retomado caso não haja cumprimento dos termos acordados. Para mediar o impasse, será instalada uma mesa de negociação com participação da empresa, das federações e da Secretaria-Geral da Presidência da República.
A suspensão temporária abre espaço para que os sindicatos apresentem propostas alternativas e para que a estatal avalie ajustes em seu plano de reestruturação. Enquanto isso, outras medidas de contenção de despesas, como a venda de imóveis, seguem em andamento. Até o momento, mais de 250 agências já foram fechadas em todo o país.

