O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros “não são legítimos”. A afirmação foi feita após a divulgação de relatórios do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que recomendam sobretaxas de até 25% sobre parte das exportações brasileiras.
Segundo Vieira, o Brasil já apresentou todas as informações necessárias para contestar as investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. As apurações apontam supostas falhas do país em áreas como comércio digital, sistema de pagamentos, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, fiscalização de trabalho forçado e desmatamento ilegal. Como resposta, Washington propôs tarifas adicionais de 12,5% e 25%, que podem atingir cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras.
Vieira destacou que o Brasil mantém déficit comercial com os Estados Unidos, o que, segundo ele, torna injustificável qualquer medida de proteção ao mercado americano. O chanceler relatou que, durante encontro em Paris com o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, houve sinalização de que ainda existe espaço para negociação. O governo brasileiro pretende intensificar as conversas até julho, quando está prevista audiência pública nos EUA para discutir as propostas.
Nos bastidores, o Itamaraty avalia que a estratégia será insistir na diplomacia e, caso não haja acordo, buscar o adiamento da entrada em vigor das tarifas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará da reunião do G7, na França, onde ainda não está confirmado se ocorrerá encontro bilateral com Donald Trump para tratar do tema.
As medidas propostas pelos EUA reacendem tensões comerciais e podem impactar setores estratégicos da economia brasileira, como o agronegócio e a indústria de transformação. Especialistas apontam que, assim como no tarifaço de 2025, há margem para negociação, mas alertam para os riscos de retaliações e efeitos sobre a competitividade internacional.

