Um estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com universidades paulistas revelou um cenário alarmante sobre o Rio Tietê. Ao longo de mais de 1.100 quilômetros, da nascente em Salesópolis até a foz no rio Paraná, foram coletadas amostras de água em 14 pontos diferentes. Os resultados mostraram a presença de 25 tipos de agrotóxicos, além de microplásticos, metais pesados, resíduos de medicamentos e até drogas ilícitas como cocaína. A pesquisa concluiu que não há nenhum trecho do rio completamente livre de poluição.
Entre os agrotóxicos identificados está a atrazina, herbicida proibido na União Europeia desde 2004 e classificado pela Organização Mundial da Saúde em 2024 como potencialmente cancerígeno. Em alguns pontos, a concentração da substância ultrapassou os limites estabelecidos pela legislação brasileira. Outros produtos como tebutiurom e clomazona foram encontrados em todos os locais analisados, inclusive em áreas consideradas preservadas, como a nascente em Salesópolis.
Os impactos da contaminação vão além da qualidade da água. Pesquisadores alertam que fungicidas e inseticidas presentes no rio podem afetar peixes e organismos aquáticos, provocando desequilíbrios na cadeia alimentar. A mistura de diferentes poluentes potencializa os riscos, já que os sistemas convencionais de tratamento de água não conseguem eliminar totalmente essas substâncias. Isso representa uma ameaça direta ao abastecimento público e à segurança hídrica da população.
Além dos agrotóxicos, foram detectados microplásticos em todos os pontos de coleta, partículas provenientes de pneus e roupas, além de resíduos farmacêuticos como diclofenaco e losartana. A presença desses contaminantes evidencia que o problema não se restringe às áreas urbanas, mas acompanha todo o curso do rio, influenciado pela atividade agrícola, pelo esgoto doméstico e pela ocupação desordenada do solo.
A SOS Mata Atlântica reforça que a recuperação do Tietê exige ações integradas, que vão desde a ampliação do tratamento de esgoto até o manejo sustentável da agricultura e a proteção das matas ciliares. O estudo amplia a compreensão sobre a poluição do principal rio paulista e alerta para a necessidade urgente de políticas públicas que garantam a preservação dos recursos hídricos e a saúde da população.

