27 de setembro de 2026 07:01

Operação Metástase desmantela quadrilha que roubava remédios contra o câncer e movimentou R$ 33 milhões

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou nesta terça-feira (21) uma megaoperação contra uma organização criminosa interestadual responsável por roubos de medicamentos oncológicos e imunossupressores. Batizada de Operação Metástase, a ação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 97 de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará. Até o momento, cinco pessoas foram presas, entre elas o empresário Stefano Montovani Fernandes, apontado como líder do esquema, além de Fernanda Rodrigues França e Umberto Xavier de Lima, identificados como integrantes do núcleo de receptadores.

Segundo as investigações da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), a quadrilha tinha apoio da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) e movimentou aproximadamente R$ 33 milhões entre 2025 e 2026. O grupo utilizava 25 empresas de fachada para reinserir os medicamentos roubados no mercado, chegando a participar de processos licitatórios para fornecer os produtos a hospitais privados e até públicos. Em alguns casos, até unidades infantis receberam cargas desviadas.

As cargas eram levadas para o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, onde eram armazenadas e fracionadas antes de serem distribuídas para diferentes estados. Durante a operação, houve intenso tiroteio e barricadas em chamas na comunidade, o que impactou o funcionamento de unidades de saúde da região. A Secretaria Municipal de Saúde informou que duas unidades suspenderam o atendimento e outras reduziram serviços domiciliares.

De acordo com a polícia, os medicamentos roubados exigem rigoroso controle de temperatura e armazenamento, e quando mantidos em condições inadequadas podem perder a eficácia ou até gerar substâncias nocivas. O esquema, além de representar um crime contra o patrimônio, é considerado uma grave ameaça à saúde pública, pois compromete o tratamento de pacientes oncológicos, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.

A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens utilizados para ocultar o patrimônio do grupo. Em Santo André, agentes encontraram medicamentos contra o câncer escondidos dentro de um carro de luxo modelo Jaguar, que foi apreendido durante a ação.

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