Durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, declarou que o Brasil não possui condições militares para resistir a uma eventual invasão dos Estados Unidos. Em tom de ironia, afirmou que “abriria o portão”, já que o país não dispõe de equipamentos nem de recursos suficientes para enfrentar uma potência como os EUA. A fala, embora feita em clima descontraído, trouxe à tona a fragilidade estrutural das Forças Armadas brasileiras e reforçou a necessidade de investimentos no setor.
Múcio destacou que o Brasil destina cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) à Defesa, percentual inferior ao de outras nações da região. Segundo ele, essa limitação orçamentária compromete o planejamento de longo prazo e a aquisição de tecnologias estratégicas, como submarinos e aviões de combate. O ministro comparou os gastos militares a um plano de saúde, afirmando que investir em Defesa é uma forma de prevenção, mesmo sem a intenção de utilizar os recursos em conflitos.
A declaração ocorre em meio a um cenário de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Recentemente, o governo norte-americano revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, medida considerada uma retaliação pela recusa do governo brasileiro em aceitar o novo embaixador indicado por Donald Trump. Além disso, os EUA classificaram facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, o que ampliou o clima de desconfiança entre os dois países.
A fala de Múcio repercutiu negativamente no meio político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria considerado a declaração inadequada, especialmente diante da atual crise diplomática. Setores da sociedade também criticaram o ministro, como o neurocientista Miguel Nicolelis, que chegou a pedir sua demissão imediata, alegando irresponsabilidade ao tratar de um tema tão sensível para a soberania nacional.
Apesar das críticas, Múcio reforçou que o objetivo não é preparar o Brasil para guerras, mas fortalecer a indústria nacional e ampliar a capacidade tecnológica do país. Ele afirmou que o Brasil já se prepara para exportar submarinos, aviões e blindados, buscando consolidar sua presença no mercado internacional de Defesa. O episódio, no entanto, evidencia os desafios enfrentados pelo governo para equilibrar investimentos militares com demandas sociais urgentes, como saúde, educação e habitação.

