27 de setembro de 2026 06:18

Após enchente devastar cidade, Muçum proíbe reconstrução e aposta em parque ecológico

A cidade de Muçum, localizada no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul, foi palco de uma das maiores tragédias climáticas da história do estado. Entre 2023 e 2024, três enchentes consecutivas deixaram marcas profundas na população e na infraestrutura local. A mais grave ocorreu em maio de 2024, quando o Rio Taquari atingiu 26 metros acima do nível normal, inundando cerca de 80% da área urbana, destruindo 350 construções e até o cemitério municipal, que abrigava cerca de 3 mil jazigos.

Diante da devastação, a prefeitura tomou uma decisão considerada incomum no país: proibiu a reconstrução de casas nas áreas mais vulneráveis. O prefeito Amarildo Baldasso (PSD) afirmou que a medida busca retirar definitivamente as famílias da zona de risco e garantir maior segurança para os moradores. No lugar das residências demolidas, será construído um parque ecológico de aproximadamente 200 mil metros quadrados, com solo permeável e áreas de lazer, preparado para absorver futuras cheias e reduzir prejuízosPágina atual+1Página atual. A cidade que proibiu a reconstrução após enchentes. — Foto: Reprodução/Jornal Nacional A área mais atingida será transfo…ClicRDC. Cidade que perdeu 80% da área urbana para enchente proíbe reconstrução de casas.

As famílias atingidas estão sendo reassentadas em novos conjuntos habitacionais em regiões seguras, longe do rio. Parte já conseguiu se mudar, enquanto outras aguardam a entrega das novas moradias. Empresas locais também receberam incentivos para transferir suas atividades para áreas menos vulneráveis.

A iniciativa de Muçum inspirou outros seis municípios da região, que discutem transformar em lei a proibição de reconstruções em áreas devastadas. Especialistas em clima e urbanismo destacam que a adaptação às mudanças climáticas é essencial, já que mais de 10 milhões de brasileiros vivem atualmente em áreas de risco de enchentes e deslizamentos.

Apesar da medida preventiva, relatórios do Tribunal de Contas da União mostram que o Brasil ainda investe mais em reconstrução do que em prevenção. Nos últimos 15 anos, foram destinados R$ 34,36 bilhões para ações de resposta e recuperação, contra R$ 9,62 bilhões para prevenção de desastres.

Enquanto cidades como Muçum buscam alternativas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, especialistas alertam que a preparação das cidades brasileiras é indispensável para lidar com eventos extremos cada vez mais frequentes.

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