A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a implantação de um projeto-piloto para avaliar radares de velocidade média em rodovias federais concedidas. O sistema, diferente dos equipamentos tradicionais que registram a velocidade em um único ponto, calcula a média a partir do tempo gasto pelo veículo entre dois ou mais locais de monitoramento. A iniciativa tem duração inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada, e não prevê aplicação de multas durante este período.
Os testes estão sendo realizados em trechos de rodovias de oito estados: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Entre os pontos monitorados estão a BR-101 no Espírito Santo e em Santa Catarina, a BR-414 em Goiás, a BR-163 em Mato Grosso do Sul, além da Ponte Rio-Niterói no Rio de Janeiro.
Segundo a ANTT, o objetivo é verificar a confiabilidade dos dados, o funcionamento dos equipamentos e o comportamento dos motoristas em condições reais de tráfego. A fiscalização terá caráter exclusivamente técnico e educativo, sem gerar autuações ou penalidades. A proposta busca reduzir acidentes e evitar que condutores diminuam a velocidade apenas ao se aproximar de radares fixos, voltando a acelerar logo em seguida.
Experiências anteriores já foram realizadas em São Paulo e Minas Gerais. Em Uberaba (MG), por exemplo, a concessionária EcoRodovias testou o sistema em um trecho de 11 quilômetros da BR-050, onde houve redução de 22,5% nos flagrantes de excesso de velocidade após ações educativas. Em São Paulo, quatro pontos de fiscalização registraram mais de 852 mil notificações educativas em seis meses, sem aplicação de multas.
A ANTT reforça que, nesta etapa, os motoristas serão informados sobre os locais de teste por meio de sinalização adequada. O projeto pretende reunir informações para avaliar a viabilidade da tecnologia em larga escala, com foco na segurança viária e na redução de acidentes.

