27 de setembro de 2026 07:11

Golpistas usam programas sociais em anúncios falsos e ampliam riscos digitais

Um levantamento realizado pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ) identificou que criminosos têm se aproveitado de programas sociais do governo para criar anúncios fraudulentos nas plataformas da Meta, como Facebook, Instagram e WhatsApp. Entre janeiro e março de 2026, foram catalogados 860 anúncios falsos, muitos deles simulando serviços oficiais e prometendo benefícios inexistentes. O programa “Valores a Receber”, do Banco Central, foi o mais explorado, aparecendo em 345 anúncios, seguido por “Brasil Sorridente”, “Minha Casa Minha Vida” e “Auxílio Gás”.

Os golpistas utilizam estratégias sofisticadas, incluindo deepfakes de figuras públicas e conteúdos gerados por inteligência artificial, para dar credibilidade às publicações. Em alguns casos, páginas falsas chegaram a usar identidade visual de veículos de imprensa para parecer legítimas. O estudo também revelou que 394 anúncios (45,8%) continham vídeos manipulados por IA, dificultando ainda mais a identificação das fraudes.

Outro ponto preocupante é a atuação internacional. Uma rede de 18 páginas administradas na China foi responsável por 67 anúncios enganosos, misturando referências a programas brasileiros e divulgando benefícios inexistentes. Essa prática expõe vulnerabilidades que podem ser exploradas em períodos eleitorais, já que a legislação brasileira proíbe impulsionamento de campanhas a partir do exterior.

Além disso, novas investigações mostraram que o programa Desenrola Brasil, voltado para renegociação de dívidas, também foi alvo de criminosos. Entre abril e junho de 2026, foram identificados 278 anúncios falsos relacionados ao programa e outros 264 sobre um suposto “Libera Brasil”, que sequer existe. Em muitos casos, os anúncios direcionavam usuários a sites que imitavam canais oficiais, coletando dados pessoais e induzindo pagamentos indevidos.

Especialistas alertam que os usuários devem desconfiar de promessas de valores altos, descontos irreais e links suspeitos. A recomendação é buscar informações apenas nos canais oficiais do governo e denunciar anúncios fraudulentos diretamente nas plataformas. Apesar de medidas anunciadas pela Meta, como uso de inteligência artificial para detectar fraudes, os estudos apontam que muitas campanhas permanecem ativas por dias ou até meses, evidenciando falhas na fiscalização.

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