27 de setembro de 2026 07:03

Violações contra mulheres em Sorocaba crescem mais de 100% em 2026

Sorocaba vive um momento de alerta em relação à violência contra mulheres. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania revelam que, entre janeiro e julho de 2026, foram registradas 1.474 violações de direitos, um aumento de 111,8% em comparação ao mesmo período de 2025, quando houve 696 ocorrências.

As violações englobam agressões físicas e psicológicas, maus-tratos, exploração sexual e tráfico de pessoas. O número de denúncias também cresceu: foram 235 registros em 2026, contra 118 no ano anterior. Especialistas apontam que, embora os dados não confirmem isoladamente maior incidência de violência, evidenciam que mais vítimas estão buscando os canais oficiais de atendimento.

A coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Taciana Cristina da Costa Cruz, destaca que o cenário exige atenção permanente do poder público e da sociedade. Para ela, campanhas como o Agosto Lilás são fundamentais para conscientizar, divulgar canais de denúncia e fortalecer a rede de apoio.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, classificou o aumento como preocupante e defendeu maior integração entre órgãos de saúde, assistência social, segurança pública e Justiça. Ela lembrou que Sorocaba já conta com a Delegacia de Defesa da Mulher 24 horas e com o programa Protege Mulher, que disponibilizou viaturas para acompanhamento de vítimas com medidas protetivas. Além disso, está em andamento a implantação da Casa da Mulher Brasileira, que reunirá em um único espaço serviços especializados de acolhimento, apoio jurídico e atendimento psicossocial.

O problema não se restringe ao município. No Estado de São Paulo, foram registradas 64.957 violações no mesmo período de 2026, contra 54.443 em 2025, um aumento de 19,3%. Em Sorocaba, medidas protetivas também têm crescido: apenas nos dois primeiros meses de 2026, foram concedidas 327 ordens judiciais, uma média de cinco por dia, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo.

As autoridades reforçam que, em casos de emergência, a vítima deve acionar a Polícia Militar pelo 190. Também estão disponíveis o Ligue 180, a Delegacia de Defesa da Mulher na rua Caracas, 846, e o Disque 100 para denúncias de violações de direitos humanos.

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