27 de setembro de 2026 06:19

União Europeia veta carne e mel brasileiros e impõe desafio às exportações

A União Europeia oficializou a suspensão das importações de carne bovina, mel e outros produtos de origem animal provenientes do Brasil, medida que entrará em vigor em 3 de setembro de 2026. A decisão foi publicada no Diário Oficial da UE e se baseia em exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária e na apicultura. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que toda a cadeia produtiva cumpre as normas estabelecidas pelo bloco, que fazem parte da política de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health.

Nos últimos anos, o Brasil vinha ampliando sua presença no mercado europeu. Apenas no primeiro semestre de 2026, as exportações de carne bovina para a UE cresceram 19% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando 51,2 mil toneladas. O valor das vendas também aumentou, passando de US$ 895,7 milhões em 2024 para US$ 1,06 bilhão em 2025. O mel orgânico brasileiro seguiu a mesma tendência, com receita de US$ 6,35 milhões entre janeiro e junho de 2026, o dobro do registrado no ano anterior.

Apesar de representar apenas uma fração do volume total exportado, a União Europeia é considerada estratégica por adquirir cortes nobres de carne bovina, como filé mignon e contrafilé, pagando valores superiores aos praticados em outros mercados. Especialistas destacam que atender às exigências europeias funciona como um selo de qualidade, abrindo portas para outros destinos.

O veto, entretanto, gera preocupação entre empresários brasileiros, que classificam a medida como protecionista e alertam para a dificuldade de substituir o mercado europeu no curto prazo. Embora a Ásia e os Estados Unidos sejam importantes compradores, cada região tem preferências distintas e impõe barreiras próprias. No caso do mel, por exemplo, os EUA absorvem a maior parte das exportações brasileiras, mas também mantêm tarifas sobre diversos produtos nacionais, o que aumenta a insegurança dos produtores.

Para retomar o acesso ao mercado europeu, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras de rastreabilidade e certificação sanitária, o que pode exigir investimentos adicionais em monitoramento e controle da cadeia produtiva. Até lá, o setor busca alternativas para reduzir os impactos da medida e preservar sua competitividade internacional.

Desenvolvido por Gáspari Comunicação