A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que a nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos fará com que 3.985 produtos brasileiros passem a enfrentar uma tributação acumulada de 37,5% para ingressar no mercado norte-americano. A medida, que entrou em vigor no dia 24 de julho, deve alcançar cerca de US$ 12,4 bilhões em exportações, o equivalente a 29,4% das vendas brasileiras destinadas ao país. Segundo a entidade, aproximadamente 48,7% de todas as exportações nacionais para os Estados Unidos estarão sujeitas a algum tipo de sobretaxa.
O aumento das tarifas decorre de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que concluiu que o Brasil e outros países não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. A CNI, no entanto, contesta a justificativa, afirmando que o Brasil possui uma das legislações mais modernas e reconhecidas internacionalmente para prevenir e erradicar o trabalho forçado, com mecanismos de fiscalização e responsabilização já consolidados.
Entre os setores mais atingidos estão o de madeira, com 83% das exportações impactadas, além das indústrias de minerais não metálicos e produtos químicos. O comércio entre os dois países já vinha em queda: após atingir US$ 40,4 bilhões em 2024, as exportações recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e registraram nova retração em 2026. Apenas no primeiro semestre deste ano, as vendas brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões, uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu a intensificação das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano para reduzir os impactos sobre a indústria nacional. Ele destacou que é essencial manter o diálogo e agir com rapidez para amenizar os prejuízos às empresas afetadas. A entidade já iniciou conversas com o governo federal e setores produtivos para buscar medidas de curto prazo que possam minimizar os efeitos da nova tarifa.

