27 de setembro de 2026 05:34

Crise diplomática: Kicillof reage a ataques de Milei contra Brasil

O discurso inflamado do presidente argentino Javier Milei durante a convenção do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo, provocou forte reação política e diplomática. Milei, que esteve no evento para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, fez duras críticas ao governo brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal (STF), chamando o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca” e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário”.

As declarações foram classificadas como ofensivas pelo governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, que afirmou sentir “vergonha alheia” diante das falas de Milei. Em publicação nas redes sociais, Kicillof destacou que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e que atitudes como essa colocam em risco investimentos, exportações e milhares de empregos. O governador também informou ter conversado com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, para reforçar que Milei “não representa o sentimento do povo argentino”.

A repercussão imediata levou o Itamaraty a convocar o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília, além de chamar o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos. O Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como “sem precedentes” e “lamentável”, destacando que nunca antes um chefe de Estado estrangeiro havia feito ataques tão diretos às instituições brasileiras em território nacional.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, também repudiou as falas de Milei, afirmando que se tratam de “referência desrespeitosa” a um magistrado da mais alta Corte do país. Fachin ressaltou que o Judiciário brasileiro atua de forma autônoma e que manifestações como essa são incompatíveis com a civilidade que deve marcar as relações internacionais.

Enquanto o governo brasileiro busca preservar os canais diplomáticos, fontes da Casa Rosada indicaram que Milei não pretende pedir desculpas pelas declarações. A crise expõe divergências políticas profundas e coloca em evidência os desafios da relação bilateral entre Brasil e Argentina, países que compartilham mais de dois séculos de cooperação e amizade.

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