27 de setembro de 2026 06:19

Trump demite comissão eleitoral dos EUA às vésperas das eleições de novembro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (9) a demissão dos três últimos integrantes da Comissão de Assistência Eleitoral (EAC), órgão federal independente criado em 2002 para apoiar a administração das eleições no país. A medida ocorre a poucos meses das chamadas eleições de meio de mandato, que renovarão toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado em novembro.

Segundo informações confirmadas pela Casa Branca, a única integrante indicada pelo Partido Republicano renunciou ao cargo, enquanto os dois representantes democratas foram desligados por meio de comunicado eletrônico enviado pelo Escritório de Pessoal Presidencial. O quarto assento da comissão já estava vago desde abril, deixando o órgão totalmente esvaziado.

A EAC tem papel estratégico na certificação de sistemas de votação, credenciamento de laboratórios e manutenção do formulário nacional de registro de eleitores por correspondência. Sem seus comissários, o futuro da entidade permanece incerto. Embora a legislação permita ao presidente nomear substitutos, não há clareza sobre quando ou como isso será feito.

A decisão de Trump ocorre em meio a sua insistência em alegar, sem provas, que houve fraude na eleição de 2020, vencida por Joe Biden. Desde o retorno à Casa Branca, o presidente tem defendido mudanças nas regras de votação e buscado ampliar a influência do governo federal sobre um sistema tradicionalmente administrado pelos estados.

Autoridades e parlamentares reagiram com preocupação. O senador democrata Mark Warner classificou a medida como “extraordinária” e alertou para o risco de interferência política em instituições que garantem a segurança das eleições. Já o secretário de Estado do Arizona, Adrian Fontes, afirmou que a decisão “mina a integridade da administração eleitoral apartidária”.

A medida também se apoia em uma decisão recente da Suprema Corte, que reforçou o poder do presidente para demitir líderes de agências independentes. Especialistas avaliam que o esvaziamento da EAC pode fragilizar a infraestrutura eleitoral em um momento de intensa polarização política e de preparação para um dos maiores pleitos do país.

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