27 de setembro de 2026 05:34

Audiências nos EUA expõem impasse sobre tarifaço contra Brasil e decisão será política

Em Washington, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) iniciou nesta semana audiências públicas para discutir a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O processo, baseado na chamada Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, prevê sobretaxas que podem chegar a 37,5% e afetar setores estratégicos como etanol, açúcar e calçados. Apesar das justificativas apresentadas pelo governo Trump, especialistas e empresários ressaltaram que não há fundamentos técnicos para a medida, apontando que a decisão terá caráter político.

Representantes da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) defenderam que as tarifas, em vez de proteger a economia americana, podem ampliar a dependência dos Estados Unidos de fornecedores asiáticos, como China, Japão e Vietnã. A entidade destacou que, ao restringir a entrada de produtos brasileiros, o mercado americano seria obrigado a recorrer ainda mais a países da Ásia, contrariando os objetivos de diversificação da cadeia de suprimentos.

O governo brasileiro optou por não discursar oficialmente nas audiências, mas enviou observadores para acompanhar os debates. Paralelamente, autoridades brasileiras seguem em negociações diretas com representantes americanos, com prazo até 15 de julho para buscar um acordo. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, já apresentou propostas de encaminhamento sobre os pontos levantados pelos EUA, incluindo comércio digital, propriedade intelectual e combate ao desmatamento.

Entre os inscritos para falar, está o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que pediu adiamento da decisão por 180 dias e se posicionou contra a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O parlamentar argumenta que as sanções poderiam beneficiar politicamente o governo brasileiro em ano eleitoral, além de prejudicar consumidores americanos e exportadores nacionais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras entidades também participaram, defendendo que a medida não seja aplicada ou que haja exceções para determinados setores.

Apesar das críticas, integrantes do governo brasileiro avaliam que dificilmente haverá reversão completa da proposta, sendo mais provável uma redução ou a criação de exceções. A expectativa é que o anúncio final seja feito até meados de julho, em meio a um cenário de forte tensão política e econômica entre os dois países.

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