O transporte voltou a figurar entre os principais gastos das famílias brasileiras, após forte alta nos preços dos combustíveis e tarifas de deslocamento. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) revelam que, em junho de 2026, 27,6% dos entrevistados apontaram o transporte como uma das três despesas que mais comprometem o orçamento doméstico, contra apenas 2% no mesmo período do ano anterior. O aumento de 25,6 pontos percentuais reflete diretamente os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo, que elevou os custos de produção e distribuição de derivados.
Apesar de alimentação, contas de serviços públicos e moradia continuarem liderando os gastos, o transporte ganhou relevância inédita. Especialistas destacam que o subgrupo de transportes no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue entre os mais voláteis, influenciado por combustíveis, tarifas de transporte público e custo dos veículos. Essa pressão inflacionária tem dificultado o equilíbrio das finanças: entre abril e junho, apenas 69,1% dos entrevistados afirmaram conseguir pagar todas as despesas essenciais, percentual inferior aos 72,4% registrados em fevereiro.
A pesquisa também mostra queda na satisfação com o trabalho. No trimestre encerrado em junho, 64% dos trabalhadores disseram estar satisfeitos, abaixo dos 68% registrados no início do ano. A baixa remuneração foi apontada como principal fator de insatisfação, citada por 57,9% dos entrevistados. Para especialistas, o cenário evidencia que, embora o mercado de trabalho permaneça estável, o aumento dos custos reduz a percepção de bem-estar e amplia a insegurança financeira.
Com a alta dos combustíveis e o transporte pesando cada vez mais no bolso, famílias brasileiras enfrentam maior dificuldade para fechar as contas no fim do mês. O orçamento segue concentrado em despesas inadiáveis, como alimentação e moradia, mas o deslocamento diário passou a ser um desafio adicional para milhões de trabalhadores.

