27 de setembro de 2026 08:49

Líbano acusa Irã de usar o país como “moeda de troca” em negociações com os EUA

Em meio ao agravamento da guerra no Oriente Médio, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, declarou nesta sexta-feira (5) que o Irã estaria tratando o Líbano como “moeda de troca” em suas negociações com os Estados Unidos. A afirmação foi feita durante uma coletiva de imprensa em Beirute, marcada por um apelo da ONU por ajuda humanitária diante da escalada da violência no país.

O presidente libanês, Joseph Aoun, também condenou a postura iraniana, classificando-a como “interferência inaceitável”. Segundo ele, o Líbano não pode ser usado como instrumento em tratativas internacionais. Paralelamente, o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, rejeitou o acordo de cessar-fogo mediado por Washington, mantendo os ataques contra Israel.

Nos últimos dias, a cidade de Tiro, no sul do Líbano, foi alvo de intensos bombardeios israelenses. Pelo menos sete pessoas morreram e outras ficaram feridas, incluindo crianças, em ataques que atingiram áreas residenciais e até um hospital. O Exército israelense confirmou ofensivas contra posições do Hezbollah e ordenou a evacuação de moradores da região.

O conflito, iniciado em março, já deixou mais de 3.500 mortos no Líbano e provocou o deslocamento de mais de um milhão de pessoas. Do lado israelense, foram registradas 27 mortes de soldados e um civil. A ONU estima que um em cada quatro libaneses enfrentará insegurança alimentar até agosto e anunciou a ampliação da ajuda humanitária, com novos recursos destinados ao país.

Enquanto isso, o Irã condiciona qualquer avanço nas negociações com os EUA à retirada das tropas israelenses do sul do Líbano e ao fim dos bombardeios. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, reforçou que “a guerra só terminará quando também acabar no Líbano”.

A tensão segue elevada, com declarações de líderes políticos e religiosos indicando que a solução para o impasse ainda parece distante. O Parlamento libanês, por sua vez, criticou o acordo de cessar-fogo mediado pelos norte-americanos, defendendo um cessar-fogo “incondicional por terra, mar e ar”.

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