28 de setembro de 2026 10:04

Diretor da PF critica decisão dos EUA e reforça combate ao crime organizado no Brasil

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (5) que considera um equívoco a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida norte-americana, anunciada em 28 de maio e que entrou em vigor hoje, foi recebida com surpresa pela corporação.

Segundo Rodrigues, enquanto grupos terroristas atuam por motivações ideológicas ou religiosas, as facções brasileiras têm como objetivo principal o lucro por meio de atividades ilícitas, como o narcotráfico. Ele ressaltou que, embora essas organizações provoquem medo e violência, não podem ser confundidas com entidades terroristas, pois exigem estratégias distintas de enfrentamento.

O diretor destacou que a decisão dos EUA não altera a forma como a Polícia Federal atua no Brasil. A estratégia nacional continuará baseada na integração entre órgãos de segurança, na descapitalização das organizações criminosas e na prisão de suas lideranças. Rodrigues frisou que a soberania brasileira deve ser respeitada e que políticas públicas nacionais não serão modificadas por decisões externas.

Apesar das críticas, o diretor da PF avaliou que a medida pode abrir espaço para ampliar a cooperação internacional. Ele defendeu maior troca de informações, bloqueio do envio de armas ao Brasil e prisão de foragidos que se encontram em território norte-americano.

Especialistas apontam que a classificação pode gerar impactos econômicos, como aumento das exigências de compliance para empresas que mantêm relações financeiras com os Estados Unidos. Isso poderia elevar custos e desestimular investimentos no Brasil. O governo brasileiro, por sua vez, reafirmou que o combate ao crime organizado é prioridade, mas reforçou que qualquer cooperação internacional deve respeitar a soberania nacional.

Nos bastidores, integrantes do Itamaraty e do Palácio do Planalto avaliam que a decisão dificilmente será revertida no curto prazo, mas defendem a manutenção do diálogo com autoridades norte-americanas para evitar prejuízos nas relações bilaterais.

Desenvolvido por Gáspari Comunicação